Eterno aprendiz...

 

Diligências do saber 

Sujeito homem que descende e uma vez que ascendeu 

A chama se alastrou 

O pensar firmou sua existência e se tornou experiência 

Sujeito feito de símbolos e do que muitos já foram 

Contempla a si mesmo

Ao deparar-se com a vastidão 

Onto social 

Poeira que é 

Tudo questiona

Em meio a templos de gesso e uma promessa iminente 

Sofia sabia que buscavam a si 

Reuniam-se e ruminavam de onde viria o existir do saber 

Cosmólogos, físicos, sofistas, filósofos...

Categorias de um mesmo sentir

O de saber de onde provinha o sabor de saber e conhecer 

Colocaram um espelho, o sujeito se olhou 

Viu um lobo e questionou 

Quem primeiro fincou um pau na terra e disse que ali era seu e de mais ninguém 

Irracional parecia, brigando por uma coisa que a todos pertenciam 

Mas o saber humaniza e estilhaça os labirintos da verdade inventada 

Daí pra frente a mentira desembocou 

Salomão dizia que essa vida é correr atrás do vento 

Mas que a sabedoria é de grande valia 

Desde Sócrates a Descartes, em meio a cavernas de mitos 

Ideias do sentir e ideias do pensar 

Ideias de ir além mar

Medo do que a consciência pode criar 

Seriam os monstros um prenúncio daqueles que em navios pretendiam explorar 

Desconsiderando o saber dos que já estavam lá?

Saber múltiplo e diverso 

Colorido e retalhado feito tapeçaria 

Feito grão de areia em meio a um cosmos 

O ser humano busca intrinsecamente a origem 

do ser

Quanto mais sei, menos sei

Mas, pensei, logo existo 

Mesmo assim, daria tudo o que sei, pela metade do que ignoro 

E, ainda assim, seria um instante de felicidade o suficiente para toda uma vida racional?

Correndo para todos os lados, o homem observa barcos, maçãs que caem de árvores, fótons de luz que brilham na beirada dos olhos 

Desprezar o aprender é atirar-se no penhasco da ignorância dançando com sua aparência de detentora da verdade 

O aprender é, portanto, marcado por história 

Por punição e estigmatização 

Lobo que é, depravado em si e no social 

Em sua mente, tal qual caravela no mar, desbravando e sitiando, a consciência humana vagueia em busca do aprender, do acomodar a si a vastidão do ser

Matutando a grande biblioteca de Alexandria que percebe ser com todos os títulos que já vinheram a te adjetivar 

Da criação das teias do saber que possibilitam a construção de instrumentos para o que ainda virá a ser

Incessantemente o ser humano expõe-se a novos desdobramentos da vida e acresce uma nova experiência à sua teia da reminiscência, da sapiência ou, simplesmente, do aprender 

Não nasce tábula rasa, mas tábula média, pois animal racional que é, acrescenta ao inato o aprendido

Acresce de exercício o erro até que se torne de efeito pretendido

Introjeta à si o universo

Expandindo-se na sua terra interior 

Terra que homem nenhum nunca pisou 

A terra do saber 

Na mente do homem 

Homem feito de poeira 

Poeira de estrela 

Que contempla a si mesmo

Ao deparar-se com a vastidão do ser

E se em uma folha qualquer alguém um dia desenhou um sol amarelo 

E com cinco ou seis retas fez um castelo

Com um pingo de tinta, coloriu seu mundo 

Então Toquinho estava certo 

A imaginação é bela e indispensável 

O sujeito homem é capaz de muito 

Não deve negociar seu pensamento

As aquarelas vão se findar 

De que valerá todo o percurso que ainda há de traçar 

Se nem mais pensar por si só conseguirá?

E descolorirá

Porque segundo Dostoievski: “(...) O sofrimento e a dor são sempre obrigatórios para uma consciência ampla e um coração profundo.” (Fedor Dostoiévski, Crime e Castigo, 1866)

E essa é a beleza de ser um eterno aprendiz…



Comentários

Postagens mais visitadas