Tratado sobre a dor...

“Um homem não tem olhos? Não tem também mãos, sentidos, inclinações, paixões? Porque é que um homem não devia chorar?”, August Strindberg


Sentimentos e emoções... Medo, ansiedade, alegria, tristeza... O problema não está em senti-las, mas em como a sociedade tem transformado o mero sentir. 

A necessidade do sentir, saber que sentimos e compreender o por que sentimos é o que faz de nós,seres humanos.

Somos criados à Imagem e Semelhança do nosso Criador, o qual é perfeito. 

Jesus, sua expressão em carne e osso,nos ensinou não só que devemos sentir, mas que podemos sentir. 

Compartilho aqui de uma reflexão que meu professor produziu em sala de aula: O DSM-V, manual diagnóstico de transtornos,têm acrescentados novos diagnósticos a cada 5 anos, um dos últimos foi o Transtorno de luto... No momento em que ele disse,lembrei-me que no judaísmo há várias etapas para o luto e uma delas é: Aninut, a dor intensa. 

A dor é algo do qual fugimos sempre, mas reconhecer, nomear a dor e colocá-la aos pés da cruz é o melhor que se há para fazer com ela. Não é sobre guardar ela a sete chaves ou se automedicar para "parar de sentir",mas sobre nomear e procurar compreender, se for o caso,com intervenção terapêutica.

[Lia, em Gênesis 28-30, só lidou com a dor, quando pôde compreendê-la, redirecionando seu olhar acerca de sua situação. A dor não se foi, mas também não permaneceu inominável, pois Lia se permitiu conhecer a própria dor e reinterpretá-la. Primeiro ela chorou, sofreu, sentiu- se invisível e rejeitada. Entretanto, Jesus a ergueu, levantou seu queixo e tirou o véu da dor de seus olhos, possibilitando uma visão ampla da situação e das circunstâncias.]

Estes novos diagnósticos, em sua maioria, são a somatização do que devemos sentir como comum e parte da nossa natureza, inerentes à esta. Nossa sociedade atarefada, não tem mais tempo de parar para sentir, pois isso significa parar de produzir, algo que não pode ocorrer, pois tempo é dinheiro e por vezes confundimos querendo ajuntar tesouros na terra, quando Jesus nos diz para ajustarmos no céu, na eternidade e não na efemeridade.

Não somos uma "sociedade consumista" apenas por comprar aquilo que não tem necessidade, mas também porque temos consumido a nós mesmos até a chama apagar. Portanto, que não vivamos de acordo com o ativismo mundano, mas de acordo com o avivamento de Deus em nossos próprios corações, curando toda dor da alma e recebendo o refrigério do alto.

Com isso, veja bem irmão: sinta e conte para o Pai o que você sente. Ele escuta tudo, é o melhor ouvinte. Através dos nossos sentimentos, o Senhor planta muitos ensinamentos. Sentir é atestado de ser humano, não diagnóstico. Se for preciso, procure um terapeuta, a sabedoria do ouvir provém daqu'Ele que escuta até mesmo as lágrimas mais silenciosas.

Terapia não é do diabo, é expressão do amor de Deus através do ouvir e do ajudar o outro a encontrar o caminho da cura. 

Bem como a depressão também não é do diabo, mas como aconteceu comigo, Deus nos ajuda a encontrar novamente a luz e a vontade de viver. Se você não crê n'Ele, procure intervenção terapêutica, mas saiba que tem um Pai que olha por você e Jesus, que intercede por nós.


Alguns versículos:

Angústia: "Ditas estas coisas, angustiou-se Jesus em espirito e afirmou: Em verdade, em verdade vos digo que um dentre vós me traira." João 13:21 "E lhes disse: A minha alma está profundamente triste até à morte; ficai aqui e vigiai." Marcos 14:34

Compaixão: "Desembarcando, viu Jesus uma grande multidão, compadeceu-se dela e curou os seus enfermos." Mateus 14:14

Luto pelo amigo: "Jesus chorou." João 11:35

Desalento: "A hora nona, clamou Jesus em alta voz: Eloi, Eloi, lamá sabactani? Por Que me desamparaste" Marcos 14:34

"[6] Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que ele, em tempo oportuno, vos exalte, [7] lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vos." 1 Pedro 5:6-7



Fragmento da obra "Santa Catarina de Siena" de Carlo Dolci, pintor florentino do século XVII.

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